\n'; document.write(barra); } } changePage();
MANIFESTO DE LANÇAMENTO DO FÓRUM SOCIALISTA
1-
Estamos completando 15 anos de construção do nosso Partido. Não há dúvidas, a esquerda no Brasil não nasceu com o PT, mas no PT encontrou sua forma mais original, eficaz e autêntica de fazer política. Produto da luta dos setores historicamente explorados, resultado de décadas de acúmulos e derrotas, o grande movimento social que deu origem ao PT colocou finalmente os trabalhadores no cenário da política nacional, com um papel central e de importância inquestionável. O ideal socialista, as Comunidades Eclesiais de Base, a organização dos movimentos populares, a participação dos setores socialmente discriminados como mulheres e negros, a retomada do Sindicalismo Classista, as vitórias eleitorais, as campanhas presidenciais... São momentos em que passo à passo fomos construindo uma nova maneira de encarar o Brasil; sua gente, suas necessidades, e fomos também desvendando a face cruel de uma elite que faz da miséria de muitos o sucesso de poucos. O Brasil não seria o mesmo, não fosse o PT. O Brasil não será o que queremos sem o PT e o PT só será o que queremos se continuar a ser de muitos, e construído por todos nós.2- Avesso ao dogmatismo das verdades absolutas, amplo e diversificado; o PT inovou na concepção de Partido, ao admitir que jamais teve um projeto acabado, ao rejeitar os modelos tradicionais, ao promover a convivência na divergência, ao discutir de modo público suas diferenças internas. Nossa amplitude no entanto, jamais empalideceu o traço comum que motivou em um determinado momento da história, milhares de homens, mulheres, à se unirem em torno de um Partido Político. A vontade de transformar radicalmente a sociedade, de assumir uma postura anti-capitalista e de construir no Brasil um projeto socialista. Transformação de fato, com corte classista, de caráter revolucionário, sem conciliações, sem concessões ao senso comum da viciada política brasileira. Essa chama que marcou o surgimento do PT, arde viva na nossa militância, nos bairros, nas fábricas, nas escolas, nos lugares mais longínquos.
3- Apesar de toda essa trajetória, nosso Partido enfrenta problemas. Já não empolgamos a juventude como antes, cresce no PT a ação política daqueles que querem transformar nosso Partido em mais um Partido da ordem, a disputa por espaço na burocracia ganha contornos inaceitáveis, nossa vida sindical é cada vez mais marcada pelas disputas aparelhistas e por um distanciamento do compromisso de classe, o movimento popular perde fôlego de mobilização além de enfrentar uma crise de despolitização e estar sujeito às ações de cooptação por parte da direita, o calendário eleitoral se impõem ao dia a dia da construção partidária, e em meio a tudo isso, figuras públicas que se construíram a partir do PT começam a se achar maiores e mais importantes que o próprio Partido. Caminha a passos largos o projeto que pretende, em nome da adequação `a uma suposta nova realidade, tirar do PT seu caráter classista revolucionário e socialista; as instâncias partidárias continuam a ser esvaziadas por uma estrutura paralela que insiste em se perpetuar, é enorme o distanciamento entre a base partidária e as decisões de sua direção, o que nos coloca a necessidade de uma avaliação crítica da estrutura organizativa do Partido e com relação a postura de determinados dirigentes que aprofundam este distanciamento, ou seja: está em curso no PT um desvio de projeto que pode por a perder 15 anos de luta.
4- O momento vivido por nosso Partido, coloca para todos nós, militantes comprometidos com o projeto dos trabalhadores, a responsabilidade de retomarmos o projeto petista, de redefinirmos o papel dos núcleos e instâncias de base, de arejarmos nossa tão combalida democracia interna e de adequarmos o PT, não para torna-lo um partido de conciliação, mas para prepara-lo para o duro enfrentamento que a luta de classes vai nos impor. Já é hora do PT pensar melhor suas relações com o movimento social, modernizar sua comunicação com a sociedade, redefinir sua estrutura de organização interna decentralizando-a e democratizando-a, propor políticas para os setores específicos da sociedade e finalmente, enfrentar a discussão que aponte o que entendemos e queremos por socialismo e como chegar a ele.
5- No sentido de resguardar o projeto socialista do PT, consideramos de fundamental importância aprofundarmos o movimento iniciado no oitavo Encontro Nacional do Partido, que deu origem aos campos Na Luta PT e Opção de Esquerda, onde nos colocamos. A constituição da chamada "nova maioria", retomou a discussão da perspectiva estratégica do PT, garantiu um posicionamento firme do Partido em questões como oposição ao governo Itamar, não participação no governo federal e derrotou as propostas de política de alianças com o PSDB denunciando, já naquele momento, o compromisso estratégico dos Tucanos com o projeto néoliberal. O novo desafio, passa a ser construir campos de caráter mais estratégico, com elaboração mais cuidadosa e maior nível de organicidade que nos permita uma intervenção mais eficaz. É urgente também discutirmos do ponto de vista da disputa de projetos que hoje se desenrola no PT, as relações do Partido com os movimentos sociais Sobretudo no que se refere ao movimento sindical e à CUT em particular.
6- A conjuntura mundial tem colocado nos últimos anos, toda a esquerda em uma incômoda postura defensiva. mas enquanto o capitalismo, hegemônico em praticamente todo o mundo, avança sobre a soberania dos povos com seus programas de ajuste de caráter neoliberal e com a globalização da economia, a maior parte da população do planeta experimenta mais e mais miséria, sofrimento, guerras e privações. A vitória mundial do capitalismo traz em si a prova de sua própria impossibilidade de gerar desenvolvimento com justiça social, liberdade e felicidade; e coloca para a esquerda a urgência e a oportunidade da busca de uma superação que esteja alinhada aos valores da democracia e da igualdade, mas que não se dará, a não ser pela vitória sobre os setores beneficiários da miséria.
7- Atrelada aos interesses do capital internacional, a burguesia no Brasil tenta viabilizar, através do governo FHC, o ajuste nos moldes do consenso de Washington, desmontando o Estado, fortalecendo os oligopólios privados, abrindo mão de setores estratégicos em favor de poucos grupos econômicos e tomando de assalto direitos históricos dos trabalhadores. A oposição petista ao governo FHC, não pode ser vacilante. Cabe ao PT e aos movimentos sociais organizados, promoverem um duro enfrentamento, com ampla mobilização popular, tornando claras as intenções desse governo com sua proposta de reforma constitucional e resgatando nossas bandeiras históricas de Reforma agrária, urbana, tributária, de manutenção dos monopólios estatais nos setores estratégicos e da necessidade de uma profunda revisão no caráter da economia brasileira, visando o resgate dos setores excluídos da nossa população.
8- Aos excluídos e às minorias, cabe um comentário a parte. A ação dos petistas no campo sindical, sobretudo nas câmaras setoriais, e a própria postura do partido, têm privilegiado a defesa dos trabalhadores do setor moderno da economia, sem a devida atenção ao que se chama economia informal ou aos milhões excluídos do mercado de trabalho. Essa situação não pode continuar. Como não pode continuar também a falta de espaço de elaboração e de propostas concretas no que se refere aos setores socialmente discriminados, sobretudo as mulheres, os negros, os homossexuais, as crianças e os portadores de deficiência. A elaboração em relação a temas específicos também tem sido tratada com pouco caso no PT, apesar das iniciativas individuais de companheiros e setores, as propostas para políticas nas áreas de meio ambiente, juventude e política estudantil não conseguem transpor a barreira dos próprios setores e raramente são colocadas como preocupação de todo o Partido.
9- Apesar de todas as dificuldades, acreditamos no papel que possa ser cumprido pelo PT na transformação do Brasil. Para tanto, a militância petista, os setores comprometidos com a luta da classe trabalhadora, não podem fugir às suas responsabilidades. Sejam elas de construção partidária, de militância de base ou de ação dirigente. Nesse sentido, companheiros e companheiras ligados à Vertente Socialista, ao Fórum do Interior e à agrupamentos independentes do Estado de São Paulo, vêm debatendo há quase dois anos a possibilidade de criarmos uma nova corrente de pensamento interna ao PT, o FÓRUM SOCIALISTA. Idéia e realização que amadureceu e que se concretiza nesse Décimo Primeiro encontro estadual do PT de São Paulo. Apesar de nascer a partir de forças com atuação no Estado de São Paulo, o FÓRUM SOCIALISTA quer se manifestar no momento de seu nascimento à todas as forças do Partido a nível nacional e participar ativamente do debate pelos rumos do PT.
10- O FÓRUM SOCIALISTA nasce da convivência e do compromisso de companheiros e companheiras, que vêm lutando lado a lado desde a fundação do Partido, da vontade e da fibra de outros que entraram no meio dessa caminhada, da perspectiva de acolhermos outros tantos companheiros que acreditam em um PT socialista. Nasce da cultura da democracia interna, com liberdade de expressão e direito pleno de divergência, nasce da inquietação e da disposição para o debate franco e democrático com os demais setores do Partido, nasce de uma postura partidária, orgânica e leal ao PT, traço marcante na trajetória de nossos companheiros e companheiras, e sobretudo nasce da constatação de que é hora do PT retomar seu curso. Evidentemente os novos desafios nos colocam novas exigências e não se trata aqui de voltar ao passado, mas de olhar para o futuro com os olhos de quem quer transformar a história, reerguendo nossas bandeiras, construindo um projeto estratégico e assumindo o compromisso de fazer do PT, cada vez mais um partido democrático, dirigente, de massas e socialista.